"The Self"

George Herbert Mead, filósofo pertencente à Escola de Chicago que fez parte das correntes teóricas denominadas de pragmatismo e interacionismo simbólico, tentava compreender como ocorre a construção da identidade social. Para ele só poderá existir o senso do Eu (self) se existir um senso correspondente a um Nós. Ou seja, são as relações sociais e o papel que desempenhamos na sociedade que constituiriam a pessoa. A individualização seria o resultado da socialização não sua antítese.

self não é natural aos homens (não existe desde o nascimento), mas se desenvolve no processo social por meio da atividade com os outros indivíduos.

Mead tenta compreender como ocorre a construção da identidade social. Para ele só poderá existir o senso do Eu (self) se existir um senso correspondente a um Nós. Ou seja, são as relações sociais e o papel que desempenhamos na sociedade que constituiriam a pessoa.

Para Mead, o "Eu" nasce na conduta, quando o indivíduo se torna um objeto social por sua própria experiência. A criança age para consigo como age para com os outros. Para o indivíduo, o Eu é uma terceira pessoa e sua expressão na conduta para com outros é um papel a ser representado. Age-se conforme se espera dessa ação ou melhor como se imagina que é a expectativa de nossa ação.

A formação da mente aconteceria quando o indivíduo consegue tomar a si mesmo como objeto de reflexão. Este processo, que ele denomina comunicação triádica, se dá pela interação reflexiva entre três instâncias simultaneamente subjetivas e objetivas: o "Eu", o "Mim" (que constituem o "self") e o "outro generalizado". Neste sistema, o outro generalizado corresponde a reflexividade estabelecida entre o indivíduo e a sociedade à qual pertence.

Sociedade seria o mecanismo que nos permite viver com o outro, representado pelas instituições (pelos costumes). As instituições seriam determinadas estabilizações de atos sociais.

Processo de desenvolvimento do self – em duas fases:

  1. Fase de organização das atitudes particulares - desenvolve apenas uma relação do indivíduo com outros indivíduos;
  2. Formação completa do self - indivíduo organiza suas atitudes dentro do grupo social ou do “outro-generalizado” que ele pertence. Essas atitudes ocorrem por meio da experiência direta com outros indivíduos e compreendem a constituição da estrutura ou do self completo. A diferença fundamental da 1ª para a 2ª fase, é que o indivíduo compreende o modelo sistemático geral dos grupos que ele está comprometido com outros indivíduos.

Portanto, o self é a estrutura em que o indivíduo está inserido; os processos sociais que ele fez parte, o outro-generalizado, os grupos sociais, ou seja, a unidade do processo social como um todo – esse é o self. A sua constituição se dá por meio da comunicação com as pessoas no presente, por meio da comunicação. Contudo, os “selves” anteriormente constituídos por pessoas que viveram anteriormente a nós, também ajudam a constituir o self dos indivíduos atualmente; sendo, porém, modificável.

O self não deve ser confundido com a mente, ou os hábitos pessoais; o self pode até influenciar na mente, mas o self diz respeito ao comportamento social, do indivíduo dentro do seu grupo e entre os grupos.

É por meio da comunicação que o indivíduo se comunica com outros, mas também comunica-se consigo mesmo, e introduz o self.

Para mostrar como o self é formado no indivíduo, Mead utiliza-se dos exemplos do jogo livre e do jogo regulamentado.

  • Jogo Livre (brincadeira) - A criança experimenta diferentes papéis com que elas têm maior contato, como o professor ou os pais; ou ainda por meio de situações e personagens invisíveis. Dessa forma ela organiza o seu pensamento, coloca-se no lugar de outros.
  • Jogo Regulamentado - Possui a organização de indivíduos distribuídos em grupos com a lógica do self. A criança interage com outras, tendo definidas metas, ações, unidades e organização, diferentemente do jogo livre, que está baseado numa mera sucessão de papéis. Assim, o jogo regulamentado é mais próximo à vida em sociedade, pois a criança tem que ter como referência o comportamento de outros indivíduos que orientem a sua ação. No jogo ela desempenha uma função que ela própria estimula.