Teoria da Recepção

Teoria da Recepção é uma teoria de análise do fato artístico ou cultural que enfoca sua análise no receptor. Entre os estudiosos que enfatizam o papel do receptor no processo comunicativo destacam-se Jesus Martin-Barbero e Stuart Hall. Para Hall, "um texto" não é aceitado passivamente pela platéia ou pelos leitores, mas que estes interpretam e fundamentam outros significados a partir da experiência individual e cultural. Assim o texto literário ou artístico é criado não pelo artista, mas na relação estabelecida entre o objeto e o receptor ou leitor.

Na Teoria da Recepção (receptor-passivo-ativo), a audiência não é apenas uma receptora passiva, mas pelo contrário, sua recepção é um processo ativo, na qual existe negociação em torno da significação.  O significado depende do contexto cultural do indivíduo. Por tanto, o receptor não é um simples decodificador daquilo que o emissor depositou na mensagem, mas também um produtor. As representações, os textos, os discursos estariam diretamente relacionados a certos mapas de significados que permitiriam aos agentes sociais interpretar, conhecer, reconhecer, contestar e agir no mundo social. 

Teoria da Recepção - Codificação versus Decodificação de Stuart Hall é baseada no modelo circular de informação e pressupõe circulação e não o formato linear de transmissão informacional.  

Hall buscou compreender como o público, formado por pessoas com contextos socioculturais diferentes, recebia e decodificava as mensagens vindas das mídias. Cada faixa desse público poderia decodificar a mensagem de sua própria maneira, podendo concordar, se opor ou contra-argumentá-la, acolhendo-a ou rejeitando-a.  

Dessa maneira, o modelo de comunicação não ocorre entre receptor e emissor de forma horizontal, mas sim circular. Sendo assim, um evento histórico transmitido pela televisão seria passível de significação e não de transmissão completa do real devido a posição privilegiada da forma discursiva da mensagem. 

Nesse contexto, o significado da mensagem possui diversas leituras. A mensagem passa a ser um bem simbólico que circula como mercadoria, partindo do princípio de 5 etapas (que podem ser codificadas e decodificadas). São elas: 

  • Produção 

  • Circulação 

  • Distribuição 

  • Consumo 

  • Reprodução 

Hall estabelece ainda 3 tipos de codificação: 
  • O de dominação - O receptor interpreta a mensagem pelo modo que o meio a quis transmitir, o produtor cria um conceito e ele é acatado pelo público. 

  • O da negociação - o público não possui posição forte em aceitar ou recusar a informação transmitida 

  • O da oposição - o público tem forte posição que se opõe ao significado atribuído pelo produtor. 

Decodificação aberrante -  é quando o destinatário interpreta as mensagens de modo diverso das intenções do emissor e da maneira como ele previa que se daria a decodificação. De um lado a articulação dos códigos (mensagem) e de outro a situação (contexto ruidoso). Dessa maneira, entre indivíduos emissores e receptores, pode haver, por exemplo, carência total de código, interferências circunstanciais e deslegitimação do emissor.