Tempo Pontilhista

O tempo na sociedade moderna não é cíclico nem linear como costumava ser para os membros de outras sociedades. Em vez disso ele é “pontilhista”, um tempo pontuado, marcado pela profusão de rupturas e descontinuidades. A vida, seja individual ou social, não passa de uma sucessão de presentes, uma coleção de momentos experimentados em intensidades variadas.

O tempo pontilhista, metáfora criada por Michael Maffesoli, se esgota em si próprio, como um boom, uma explosão de possibilidades e de momentos a serem vividos da forma mais intensa possível.

O tempo pontilhista descarta a fluidez a partir do momento em que ele é único. Nem presente, nem passado, apenas uma exigência social e uma busca instantânea de sucesso e de inclusão. Está associado a instantaneidade do consumo, assim como sua inevitável descartabilidade. Ele não se constrói como uma culminância de um projeto, mas existe em si mesmo, em miríades, em momentos. Deve-se, portanto, aproveitá-lo ao máximo, pois ele se esvairá como fumaça.

O tempo pontilhista, em oposição ao tempo taylorista presume etapas, se esgota a partir do momento em que ele é. E ele é na medida em que me vejo como uma mercadoria inserida dentro de um mercado, no qual sou, ao mesmo tempo um produto, um ser dotado de uma subjetividade cada vez mais mapeada e orientada, alguém que consome e alguém que descarta.

A vida ‘agorista” tende a ser “apressada”. A oportunidade que cada ponto pode conter vai segui-lo até o túmulo; para aquela oportunidade não haverá “segunda chance”.