Mimese Crítica

Crítico à cultura de massas, Theodor Adorno, teórico da Escola de Frankfurt, desenvolveu o conceito de mimese crítica como uma forma de recuperar a produção artística em uma sociedade em que tudo se transforma em mercadoria.

Para Adorno, a mímeses da obra de arte “é a sua semelhança consigo mesma”, exigindo que o sujeito adapte-se, em sua singularidade, ao seu movimento interno. Segundo a Teoria Estética de Adorno, "A arte é o refúgio do comportamento mimético. Nela, o sujeito expõe-se, em graus mutáveis de sua autonomia, ao seu outro, dele separado e, no entanto, não inteiramente separado. A sua recusa das práticas mágicas, dos seus antepassados, implica participação na racionalidade. Que ela, algo de mimético, seja possível no seio da racionalidade e se sirva dos seus meios, é uma reação à má irracionalidade do mundo racional enquanto administrado. Pois o objetivo de toda a racionalidade, da totalidade dos meios que dominam a natureza, seria o que já não é meio, por conseguinte, algo de não-racional. Precisamente, esta irracionalidade oculta e nega a sociedade capitalista e, em contrapartida, a arte representa a verdade numa dupla acepção: conserva a imagem do seu objetivo obstruída pela racionalidade e convence o estado de coisas existente de sua irracionalidade, da sua absurdidade" .

A cultura de massas, segundo Adorno, cria uma aura em torno da produção de massas que e gera necessidades supérfluas, que aprisionam o ser humano a um mundo de valores no qual o ter define o ser. Essa é a base ideológica do desenvolvimento do capitalismo e da própria sociabilidade. Em contra partida a cultura antiga na qual o fundamental era o desenvolvimento moral das pessoas. O consumismo, a cultura de massas, enquanto universo simbólicoideológico do mundo capitalista, constrói ideologicamente nossa realidade, camufla os efeitos do mercado capitalista e para com o meio ambiente. Os meios de comunicação de massa monopolizam a esfera pública e são responsáveis pela construção e pela legitimação do mercado capitalista, de regimes políticos etc.

Nesse contexto, a mímeses possibilita uma forma de experiência não vinculada à racionalidade instrumental, que seria o retorno ao belo natural, ao reino da liberdade e daquilo que não foi submetido ao estado de dominação. Dessa maneira, Adorno afirma que, por meio da arte, é possível uma crítica emancipatória. Se por um lado para a indústria cultural o centro está na cultura de massas, na miméses a produção artística visa a criar uma realidade artificial – talvez até ideológica – que encobre o consumismo enquanto uma das dinâmicas centrais do mercado capitalista.