Mercado de Bens Simbólicos

A implantação de uma “indústria cultural” passa a caracterizar a cultura como um investimento comercial. Um bem simbólico se configura quando a um objeto artístico ou cultural é atribuído valor mercantil, sendo consagrado pelas leis do mercado ao consumidor, bem como de produtos de bens simbólicos. Os anos 40 e 50 são considerados como o início da sociedade de consumo. Nas décadas de 60 e 70 se definem pela consolidação de um mercado de bens culturais. A televisão se concretiza como veículo de massa. Há grande expansão de bens culturais, atingindo uma ampla massa consumidora. É significativo o crescimento da publicidade, produção editorial de livros, revistas, filmes, de cinema, e discos do mercado fonográfico.

Renato ORTIZ, em A moderna tradição brasileira, trata do Mercado de Bens Simbólicos no Brasil: 
"No Brasil, anos 60 e 70, a consolidação de um mercado de bens de consumo, que era incipiente até então. (...) A televisão se consolida como veículo de massa nos anos 60, embora cinema, o disco, a publicidade, e as editoras somente nos anos 70 se estruturaram como 'indústrias'. (...) Essas transformações estruturais também resultam do regime militar, que aprofunda as medidas econômicas do Presidente Juscelino Kubitschek e consolida o “capitalismo tardio”.  Mas se o desenvolvimento dos bens materiais se expandiu, o dos bens culturais, na liberdade de expressão, foi sufocado pela censura, que atuou em 2 vertentes: a) repressiva: que diz não; b) disciplinadora: afirma e incentiva uma orientação. No período pós-64, embora haja repressão, é um momento da história no qual mais são produzidos e difundidos os bens culturais. A cultura envolve uma relação de poder que é benéfica se manejada na forma desejada pelo poder autoritário. O Estado autoritário financia e se relaciona com o setor empresarial-cultural das comunicações. Em 1965 é criada a EMBRATEL e o Brasil se associa à rede de satélites INTELSAT. Em 1967 é criado o Ministério das Comunicações. Essa “integração nacional” entre o Estado e grupos empresariais da comunicação e cultura atende aos interesses de ambos: capitalismo e ideologia “moralista” para o Estado, interesses econômicos (mercadológico) para o s grupos empresariais.

Mas paralelamente a censura sufoca a liberdade de expressão e prejudica sobrevivência econômica do teatro e do cinema. Neste conflito, empresários e artistas propõem uma reformulação de critérios de censura, nos anos 70.

Na área da publicidade, o governo detém importante 'censura econômica', pois é um dos principais anunciantes dos veículos de comunicação. mercado publicitário foi alavancado com televisão, embora já fosse significativo com rádio. Por isso é que partir da década de 60 há uma multiplicação de institutos de pesquisas mercadológicas: IVC em 1961;

Nos anos 60 e 70 grande expansão de bens culturais, atingindo uma ampla massa consumidora. É significativo o crescimento da produção de livros, revistas, filmes de cinema, e discos do mercado fonográfico.

Mas a televisão é que caracteriza a consolidação da indústria cultural no Brasil. Os números de televisores em 1970 alcançavam a impressionante marca de 860 mil unidades. E a TV colorida só o fez aumentar.telenovela no Brasil foi escolhida como produto por excelência da atividade televisiva, ocupando o “prime time” da programação, o quepor exemplo, não se verificou na realidade dos Estados Unidos.

Também operou-se a racionalização: jornal como veículo, mídia do que deve ser anunciado, com introdução de normas de redação e 'deadline'.

Essa racionalização também implicou num novo relacionamento entre empresa e empregado. As empresas redimensionaram a utilização de seu pessoal visando melhorar a produtividade. Isso acarretou maior profissionalização de novas categorias e funções: cenógrafos, figurinistas, roteiristas, etc. .

A cultura popular de massa é produto d a sociedade moderna, mas a lógica cultural é também um processo de hegemonia. A relação entre bens restritos e bens ampliados é alterada, pois a lógica comercial passa a dominar e determinar os espaços e formas de manifestação cultural. A relação entre televisão e teatro é um bom exemplo: artistas consagrados pela televisão são chamados pelo teatro para que possa render bilheteria, numa dependência inequívoca do teatro pela produção televisiva."