Gatewatching

O termo foi criado em 2005 pelo pesquisador australiano Axel Bruns para descrever um novo modelo de seleção noticiosa, onde as audiências têm papel ativo na escolha, consumo e construção das notícias por meio da atividade de curadoria e avaliação das informações fornecidas. Através de comentários, compartilhamentos, verificações, críticas e recomendações, o leitor passa a exercer um papel de curadoria, selecionando, dentre as publicações disponíveis, aquilo que considera mais importante para si, para sua rede de contatos e mesmo para uma situação específica. Essa seleção realizado pela comunidade de usuários, pode resultar em uma nova forma de cobertura noticiosa.

gatewatching surge no contexto de superação do gatekeeping, teoria utilizada para explicar o processo no qual a seleção do conteúdo publicado é feita com base nos valores-notícia, linha editorial e outros critérios. De acordo com o conceito, o jornalista agiria como uma espécie de “guardião do portão”, ou seja, o profissional que escolhe quais tipos de informação chegariam até o outro lado (o público).

Com o advento da Internet, multiplicaram-se os canais disponíveis para publicação, eliminando algumas justificativas-chave do gatekeeping, como as limitações do espaço físico dos jornais. Além disso, desenvolveram-se inúmeros modelos colaborativos de participação do usuário, borrando as fronteiras entre produtor e consumidor. Se o gatekeeping exige um guardião controlando o que passa pelo portão, no gatewatching as audiências participam em um esforço distribuído de observação e acompanhamento das informações que passam por seus canais.