Fetiche Tecnológico

Segundo Zygmunt Bauman, o paradoxo do fetiche tecnológico é que a tecnologia que age em nosso favor realmente nos habilita a permanecer politicamente passivos. Não temos de assumir a responsabilidade política porque a tecnologia faz isso por nós. Desse modo, uma vez mais, tudo que precisamos é universalizar determinada tecnologia e assim teremos uma ordem social democrática ou harmoniosa.

Para Bauman, quando se descobre que a essência das relações industriais está voltada para a venda da capacidade de trabalho e não de mercadorias, entende-se algo revolucionário que pode ser o passo para a posterior restauração do conteúdo humano na realidade da exploração capitalista. Esse conceito é posteriormente associado ao que ele chama de “fetichismo da subjetividade”. 

O fetichismo da subjetividade, tal como, antes dele, o fetichismo da mercadoria, baseia-se numa mentira, e assim é pela mesma razão de seu predecessor – ainda que as duas variedades de fetichismo centralizem duas operações encobertas em lados opostos da dialética sujeito-objeto entranhada na condição existencial humana. Ambas as variações tropeçam e caem diante do mesmo obstáculo: a teimosia do sujeito humano, que resiste bravamente às repetidas tentativas de objetificá-lo". Bauman

A lógica da sociedade de consumidores encobre a condição de objeto do indivíduo ao apresentar as escolhas do consumidor como autônomas e constitutivas de sua subjetividade. 

Os conceitos de “fetichismo da mercadoria” e “fetichismo da subjetividade” estão situados em análises muito distintas e relacionados a diferentes épocas do pensamento. Bauman retoma a idéia original de Marx do “fetichismo” e a reinventa no contexto do consumismo contemporâneo na “modernidade líquida”.