Autoria Coletiva

Para Bahia, autor coletivo é a pessoa jurídica ou entidade, e autoria coletiva o conjunto de autores individuais ou os autores comuns de uma obra, trabalho ou matéria.

Marcondes Filho afirma que "a natureza institucional e coletiva do trabalho nos meios jornalísticos engendra na autoria literária uma dimensão singular. Trata-se de uma função-autor, em que  a autoria é compartilhada por múltiplos jornalistas e reconhecida de forma  regular. O crédito, no jargão profissional brasileiro, designado nos estudos anglo-saxões pelo termo byline, se materializa em uma linha no começo das stories que os veículos reservam ao nome do autor dos textos".

Já Castilho, no artigo A objetividade e a autoria compartilhada trata o assunto da seguinte maneira:

"De acordo com a Constituição Federal, art. 5, inciso XXVII e a Lei 9.610/98, a Lei dos Direitos Autorais, quando um jornalista assina um texto, uma imagem áudio-visual, desenhos, charges e projetos gráficos, seu direito de autor é inequívoco, com fundamento na Constituição Federal, art.5, inciso XXVII e na Lei 9.610/98, a Lei de Direitos Autorais. Ocorre, no entanto, segundo Oliveira, que os jornais são considerados "obras coletivas" cuja autoria não pode ser identificada, na medida em que não seria possível individualizar a pessoa física criadora daquela obra. A partir daí os direitos patronais e autorais da criação do jornalista passam-se imediatamente para as mãos das empresas de jornalismo e o jornalista dissolve-se na “multidão anônima” das redações.

Houve consenso de que o modelo atual de certificação de veracidade já não funciona mais. Os executivos da mídia acham que o problema é causado pela falta de controles mais rígidos na produção das notícias, enquanto os blogueiros e pesquisadores de novas mídias acreditam que a questão é mais complexa, pois, segundo eles, estaria havendo uma substituição de padrões de credibilidade fixados por grupos restritos de pessoas, em beneficio de percepções coletivas.

‘Ponto de vista neutro’ – PVN (neutral point of view) – foi a expressão mais ouvida na troca de idéias sobre credibilidade jornalística. Ela foi criada pelos defensores do sistema de autoria compartilhada ‘wiki’ para explicar como é possível produzir informações confiáveis em sites onde qualquer um pode colocar uma informação ou notícia. O exemplo mais notável desse sistema é a enciclopédia virtual Wikipedia.

O princípio do PVN está baseado na tese apoiada em probabilidade estatística segundo a qual as opiniões extremas são matizadas pelas menos antagônicas até a formação de um ponto de equilíbrio, ou ponto de neutralidade, que seria o resultado da interação do conjunto de opiniões emitidas por um grande número de pessoas.

Os pressupostos teóricos da tese do ‘ponto de vista neutro’ são bastante complicados e de difícil verificação imediata. Mas há uma grande expectativa sobre o resultado dos testes que estão sendo feitos em jornais de autoria coletiva como, o sul-coreano OhmyNews ou na Wikipédia, enciclopédia cujos verbetes são produzidos por colaboradores voluntários, sem pagamento. Até agora nenhum dos dois projetos tropeçou num grande erro e ambos conquistam novos adeptos, apesar das dúvidas sobre a confiabilidade das informações que publicam".