Atopia e Acronia

Em "A contração do tempo e do espaço do espetáculo" (2010) MarilenaChauí trata da Atopia e Acronia:

"A relação corpo a corpo nos possibilita ser espacial e temporal. O mundo virtual não tem a referência do espaço e do tempo como o centro da nossa experiência. Não é mais essa experiência é outra experiência. O que se passa quando a espacialidade e a temporalidade do nosso corpo e da nossa experiência se perdem na atopia, ou seja, na ausência de lugar e ausência de espaço e na acronia, na ausência do tempo. São duas ausências, a atopia e a acronia, que caracterizam o mundo virtual.

Se compararmos as análises de Maurice Merleau-Ponty sobre o nosso corpo a situação contemporânea de atopia e acronia, podemos dizer que há um mundo novo, um mundo virtual desprovido de espessura temporal e espacial. Um mundo no qual o nosso corpo e reduz: de um lado à percepção visual de imagens planas e fugazes e de outro à atividade mecânica de controle de operações e sinais propostos pelos autômatos. Um mundo sem lugares, distâncias, profundidades, qualidades - O mundo da atopia. Um mundo sem tempo no qual nada passa e nada fica, pois tudo coexiste sem passado num presente interminável - O mundo da acronia.

Ou seja, para o virtual a atopia e a acronia são o seu modo de ser. É o seu modo de existir. A atualização é o modo de relação dos indivíduos humanos como sistemas informacionais.

Quando nós passamos para essa acronia, atopia e para a desmontagem do nosso corpo como ser sensível e como ser simbólico e assim nos reduzimos a sinais virtuais fora do espaço e do tempo, eu acabo sem saber o que sobrou dos seres humanos. Enfim, qual é o novo ser humano que está surgindo? Porque aquele que existia acabou. Como será o que virá? Ele vai nascer em um campo sem simbolização, só de sinalização, sem espaço, sem tempo e sem corpo, tudo virtual".