Apuração

É o levantamento e a checagem que precedem a redação de um texto jornalístico. A busca pela verdade e a pressão do tempo, aspectos indissociáveis do jornalismo, podem ser representados como forças que se opõe. A apuração envolve investigação (documental e por entrevistas), levantamento e verificação dos dados e elementos de um acontecimento, para transformá-lo em notícia ou reportagem. A matéria jornalística pode ser apurada direto na fonte, por meio de uma área oficial e por pessoas ou instituições que possam fornecer indicações do fato. A apuração das informações é fator decisivo para a credibilidade do trabalho jornalístico, por isso deve ser feito de forma ética. Por isso, ao se colocar em campo, o jornalista deve ater-se aos seguintes objetivos:

  • Fazer uma pesquisa prévia à formulação da pauta
  • Traçar um plano de ação para obter as informações
  • Fazer uma seleção das fontes.

As seis perguntas fundamentais para uma boa apuração (lide) são: 

  1. o que ocorreu? 
  2. por que ocorreu? 
  3. quando ocorreu? 
  4. onde ocorreu? 
  5. como ocorreu? 
  6. quem se envolveu na ocorrência?

No telejornalismo, a apuração ocorre por meio de um sistema de escuta de rádio e de telefonia de uma editoria de notícias. Dependendo dela, a chefia de reportagem pode ou não enviar uma equipe para cobrir um evento. Eventualmente, em TV, é a expedição da equipe de reportagem ou o início da gravação.

"Ato ou efeito de apurar, investigar, levantar, verificar informações, dados, acontecimentos, testemunhos para elaboração da notícia. Elemento fundamental no processo jornalístico, consiste em reunir, de forma a mais completa possível, evidências, impressões, circunstâncias que se tornem essenciais à redação de um texto. Envolve fontes próximas (locais ou nacionais, entrevistas, pesquisas, etc) e remotas (internacionais, agências noticiosas, rede de correspondentes, etc). Requer exatidão, veracidade, correção, critério, identificação, etc., que resultam da observação direta do repórter, a quem cabe coletar e analisar exaustivamente as informações, a partir das perguntas fundamentais: o quê?, por quê?, quando?, onde?, como?, quem?. Contudo, a apuração (em jornal, revista, rádio, TV, cinema, etc.) não se deve deixar influenciar por conceitos formais ou inspirações burocráticas de cobertura, mas questionar, contrapor dúvidas, romper convencionalismos ou reservas, e buscar sempre o ângulo verdadeiro. Método de obter informações que serão selecionadas e elaboradas para divulgação como notícia. O repórter, nessa etapa, age como leitor, isto é, com a curiosidade e a atenção de quem quer saber tudo sobre o acontecimento. Não obstante diferenças sutis de preparação do texto em jornal, revista, rádio, TV, cinema, etc., a apuração da notícia compreende: a) contato pessoal com a fonte; b) consulta às áreas oficiais ou oficiosas; c) contato, se necessário, com áreas paralelas ou marginais. É na apuração que se deve ouvir todos os lados de uma questão, para que a matéria se realize com clareza e competência". Bahia

Números e Estatísticas


O poder mediático dos números é muito grande. Se mostram que algo mudou, se causam surpresa ou se são inéditos, são notícia. No entanto, Sós, os números são frios e dificilmente interessarão ao cidadão comum. As estatísticas precisam de explicação, de contexto, de vida. Lidar com estatísticas requer dos jornalistas possuam conhecimento  técnico e capacidade analítica. Para isso devem saber fazer as perguntas corretas. 

Na obra "Que número é esse: Um guia sobre estatísticas para jornalistas" é sugerido sete interrogações essenciais:

1. Como é possível? - Este é o ponto de partida para se trabalhar com estatísticas. É a questão‑chave que abre a porta a outras. É como dizer: “Vamos lá ver o que isto significa”

2. Que números são estes? -  Nesse momento deve-se questionar os números de maneira a saber o que são e o que os caracteriza. Por exemplo:

• Qual é a sua ordem de grandeza e escala – se estamos a falar em milhões, milhares de milhões, biliões, etc.;
• Qual é a sua unidade de medida, ou seja, o que está a ser contado – por exemplo, indivíduos, euros, empresas ou registos de atos administrativos;
• Que valor é aquele – se são números absolutos ou relativos; se são valores exatos ou arredondados; se são médias, taxas de variação etc.

3. De onde vêm? - Trata‑se aqui de identificar quem é o responsável pelos dados estatísticos e por que estão a ser divulgados naquele momento. 

4. Como foram produzidos? - Como um dado estatístico foi recolhido ou produzido. A metodologia tem influência no resultado, bem como na sua credibilidade.

5. O que mostram e o que não mostram? - (1). O que um número fala de concreto. Se os dados falam do desemprego, como é que a entidade que os produziu ou divulgou define a situação de desempregado? (2). Qual o valor em si e ao seu significado. É uma simples contagem em valores absolutos ou uma variação? Se se tratar de uma variação, qual é a sua relevância? 

6. O que fazer com eles? - A abordagem jornalística mais simples às estatísticas é repetir esses dados tal como chegam à redação. No entanto, o resultado é, muitas vezes, uma notícia acrítica, descritiva, carregada de números. Os números contidos nas estatísticas são apenas um ponto de partida. O ponto de chegada é definido por quem os interpreta.

7. Que erros evitar? - (1). Evite a crença cega nos números. Não se deve dispensar nenhum dado estatístico, seja qual for a sua origem, de ser interrogado. (2). Evite também a produção de notícias sem pensar na sua audiência. Esta norma básica do jornalismo em geral é ainda mais pertinente no trato com estatísticas, sempre recheadas de números de difícil leitura, conceitos técnicos e jargão incompreensível. A simplicidade é o melhor caminho. (3). Outra pratica a se Evitar são as conclusões apressadas. Uma brecha por onde elas aparecem está na facilidade com que se confunde correlação com causalidade.