Agenda Setting

Segundo a hipótese do agenda setting ou teoria do agendamento, introduzida em 1972 por Maxwell McCombs e Donald Shaw, os temas discutidos no cotidiano são determinados pelas mensagens da mídia. Essa ideia já havia sido antecipada por Walter Lippmann, em 1922, em Public Opinion, no qual destacava o papel da imprensa o enquadramento da atenção dos leitores em direção a temas por ela impostos. Robert Park, em 1940, destacava a prerrogativa que tinham os meios de comunicação de definir uma certa ordem de preferências temáticas. O primeiro estudo sobre agenda setting em relação à mídia foi publicado na revista Public Opinion Quartel e buscava constatar a coincidência entre as agendas da mídia e do público durante a campanha das eleições de 1968 nos Estados Unidos. A passagem de um fato da agenda dos meios de comunicação à agenda individual, chegando a se tornar um tema de importância social, ocorreria a médio e longo prazos, mediante repetição do tema.  O surgimento dessa concepção significou a ruptura com o paradigma funcionalista sobre os efeitos dos meios de comunicação, que não considerava que a comunicação social operava diretamente sobre a sociedade.  

A teoria do agendamento defende a ideia de que os consumidores de notícias tendem a considerar mais importantes os assuntos que são veiculados na imprensa, sugerindo que os meios de comunicação agendam nossas conversas"Pena 

Conceitos de Determinação da Hipótese do Agenda Setting

Em estudos realizados por autores brasileiros, alguns conceitos básicos são apontados e utilizados para determinar o efeito do agenda setting. Baseado em estudos anteriores, Hohlfeldt aponta os seguintes conceitos:

  • Acumulação: capacidade que a mídia tem de dar relevância a um determinado tema, destacando-o do imenso conjunto de acontecimentos diários;
  • Consonância: apesar de suas diferenças e especificidades, os mídias possuem traços em comum e semelhanças na maneira pela qual atuam na transformação do relato de um acontecimento que se torna notícia;
  • Onipresença: um acontecimento que, transformado em notícia, ultrapassa os espaços tradicionalmente ocupados a ele. O acontecimento de polícia pode ser abordado em outras editorias dos meios de comunicação;
  • Relevância: quando um determinado acontecimento é noticiado por todos os diferentes mídias, independente do enfoque que lhe seja atribuído;
  • Frame Temporal: o período de levantamento de dados das duas ou mais agendas (isto é, a agenda da mídia e a agenda pública, por exemplo);
  • Time-lag: é o intervalo decorrente entre o período de levantamento da agenda da mídia e a agenda do público, ou seja, como se pressupõe a existência e um efeito da mídia sobre o público;
  • Centralidade: capacidade que os mídias têm de colocar como algo importante determinado assunto;
  • Tematização: está implicitamente ligado à centralidade, pois é a capacidade de dar o destaque necessário (sua formulação, a maneira pela qual o assunto é exposto), de modo a chamar a atenção. Um dos desdobramentos deste item é a suíte de uma matéria, ou seja, múltiplos enfoques que a informação vai recebendo para manter presa a atenção do receptor;
  • Saliência: valorização individual dada pelo receptor a um determinado assunto noticiado;
  • Focalização: é a maneira pela qual a mídia aborda determinado assunto, utilizando uma determinada linguagem, recursos de editoração.