Ação Comunicativa

Ação comunicativa é um conceito que deve ser compreendido em consonância com a razão comunicativa. Ambos são fruto da formulação teórica do filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, herdeiro da Escola de Frankfurt, cujo objetivo foi o de afastar-se da concepção de razão técnica para retomar o conceito de razão em sua potencialidade humanista e civilizadora do projeto Iluminista. Do ponto de vista desse pensador , esta é a finalidade de uma Teoria Social Crítica, à medida que se tem como perspectiva valores humanistas. Pode-se afirmar que a proposta de Habermas parte da análise da teoria da ação e seu fundamento racional, tentando satisfazer três pretensões: a) desenvolver um conceito de racionalidade capaz de emancipar-se de supostas versões subjetivas e individualistas; b) construir um conceito de sociedade em dois níveis, integrando os paradigmas de sistema e mundo da vida; c) elaborar uma teoria crítica que ilumine as patologias e deficiências da modernidade e sugira novas vias de reconstrução do projeto Iluminista, ao invés de propugnar o seu abandono. Habermas revela-se um idealista ao criticar, no marxismo, a concepção de materialismo histórico, afirmando-a como orientação positivista, pois presa à razão instrumental teleológica ao compreender a História istória a partir do desenvolvimento das forças produtivas. Para ele, a razão crítica é linguística. A linguagem verbal é a expressão da relação intersubjetiva (sujeito-sujeito), regida por normas de validade. O ato de fala (Austin) é fundamentado na Pragmática Universal (Wittgenstein) e na evolução social (análise das estruturas dos proferimentos). Os atos de fala como manifestações perlocucionárias visam à ação estratégica, finalidade que não contempla o entendimento. Os atos de fala como manifestações ilocucionárias guardam em si a capacidade de validade e de ação, a ação comunicativa. A validez dos proferimentos pode ser constatada pela estrutura da ilocução, visto que é da sua natureza o entendimento. Sujeitos de um mesmo universo linguístico, em situação ideal de fala, dispõem da palavra em igualdade de condições, sem qualquer coação, têm possibilidades de construir o consenso. Sistema e mundo da vida são esferas diferentes da sociedade. A ação comunicativa é pertinente ao mundo da vida, pois este é eminentemente comunicativo. A racionalidade comunicativa se constrói no consenso advindo da ação comunicativa". Roseli Figaro